Estado contra Professores: uma questão de falta de amor

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Você deve ter achado estranho ler o título deste post. Resumir uma questão tão complexa a uma resposta tão simples parece piada. Realmente, mas até o fim desse texto espero que você no mínimo entenda e até compartilhe de tal raciocínio. Eu tenho um amigo que é professor grevista (se estiver lendo, espero que não se incomode de ser usado como exemplo, rs). E é claro, como todo amigo, você ama. Dependendo, você deve estar risonho agora, pensando “esse cara é viado”. Mas se você me permitir uma ofensa, você está rindo de ignorante. Em muitos casos rimos das coisas porque não conhecemos profundamente aquilo que estamos falando. Talvez caiba um esclarecimento, tímido porque não sou um grande pensador e a questão é complexa, sobre o amor.

Amor é sentimento. Você sente e pronto, não tem controle. Vários pensadores já tentaram teorizar o amor e chegaram a conclusões muito interessantes. Vou lembrar de algumas aqui. Platão definia amor como desejo (eros), e desejo como falta. Logo para ele você ama o que não tem, e quando tem, sem motivo para desejar, não ama mais. Não é desse amor que estou falando, deixamos isso para a Apple vender iPhones. Aristóteles tem uma visão que se encaixa mais, amor como filia, alegria da presença daquilo que te faz feliz, como ter um amigo ou o iPhone 3GS. Você curte aquilo que já tem. E para Jesus, ágape, amor incondicional que vai além daqueles que conhecemos. Lembro da eterna frase repetida nas missas, que acompanhava arrastado pela minha mãe: “[…]Amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei[…]” (João 13,34-35). Poderia citar Kant, mas seu sorriso já deve ter ido embora neste ponto.

Bom agora, retornemos a disputa entre Estado e Professores. A questão é justamente essa, se nossos governadores, secretários e deputados estaduais amassem estes professores, pensariam bem melhor e talvez nem se quer teríamos tido greve, muito menos violência. Me tomando como exemplo, se fosse eu deputado estadual, pensaria muito mais em minha decisão porque tenho uma pessoa que amo no meio destes. Quando se ama, fica muito mais complicado tomar uma decisão, é claro, e toma-se mais tempo para se decidir. Esse tempo extra adicionado por esta variável do sentimento, poderia nos levar a decisões muito mais acertadas (ou menos problemáticas).

Isso porque não quero fazer mal as pessoas que amo. Porque se eu votasse em favor das atuais propostas do Estado, me sentiria mal de apresentar-me novamente em frente ao meu amigo. Este é o outro lado do amor: a vergonha na cara. Sim, se eu fisese tamanha canalhice com meu amigo, teria vergonha de mim mesmo, por o ter desapontado, uma vez que ele confia em mim e eu tenha falhado tragicamente com ele. Como você, quando pequeno, chuta a bola no vaso de flor que sua mãe mais gosta e fica com vergonha quando ela descobre. Vergonha na cara.

Mas então você chega no pulo do gato: Jeison, eu não tenho como amar todas as pessoas, por que, como você mesmo o disse, não há como se controlar o amor, decidir amar alguém. Muito bem, você pegou o espirito da coisa! Eu não tenho como amar todos os Professores, de fato, mas posso simular. Agora você ficar mais estupefato. Sim, lembra do que Jesus disse? Ele de fato não estava pedindo que você amasse todo mundo, mas que agisse de tal forma. E neste ponto é que chegamos na moral, em uma definição kantiana enxuta: aja de tal forma como se amasse o outro. Pense de tal forma que você estivesse mesmo no lugar da outra pessoa. Ou pense que a outra pessoa fosse alguém que você amasse de fato. E desta forma você terá condições de tomar decisões muito mais conscientes e por que não dizer, amorosas.

Foto: DANIEL CASTELLANO/AGÊNCIA DE NOTÍCIAS GAZETA DO POVO/ESTADÃO CONTEÚDO

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